07/10/2009
Homenagem aos 50 anos da PUC - Goiás

AutorRaquel Teixeira  estatísticas visualizações  imprimir imprimir   enviar por e-mail enviar por e-mail

Na Sessão Solene proposta pelos colegas Sandes Júnior e Pedro Wilson no dia 5 de outubro, a Professora Raquel Teixeira fez discurso em nome do PSDB comemorando os 50 anos da Universidade e a justa transformação em PUC - Goiás. Veja parte do discurso proferido pela deputada:

Queridos professores, estudantes, funcionários, alunos, pais de alunos, pró-reitores, diretores, confesso que estou honrada de representar o PSDB nesta sessão solene em homenagem aos 50 anos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, instituição que até hoje já graduou 72 mil profissionais, que, certamente, mais do que uma formação técnica, receberam orientações humanistas para viverem como homens e mulheres de bem.

Na condição de professora titular de uma universidade, conheço os desafios que uma instituição de ensino superior tem de enfrentar no Brasil para melhorar a estrutura, a qualidade, as condições de trabalho, as instalações, os laboratórios, a formação que oferece. Aliam-se a isso as demandas da pesquisa e da extensão.
Ninguém ignora a importância das universidades para a superação dos problemas atuais e para a construção do futuro. A história da universidade é milenar. O Deputado Pedro Wilson lembrou a Universidade de Bolonha. Digo a S.Exa. que são mais de 800 anos. Eu tive a honra de participar do aniversário de 970 anos da Universidade de Bolonha. Portanto, a história da universidade é milenar.

Ao longo da história, as universidades passaram por inúmeras transformações. Essa transformações significaram momentos de reinvenção da própria universidade, para atender às demandas novas da sociedade.
A dinâmica é esta: a universidade muda a sociedade e a própria história, e essas exigem mudanças nas universidades. As mudanças por que passam as universidades nunca foram capazes de satisfazer, na plenitude, as sociedades quanto ao atendimento das exigências dos momentos históricos em que elas aconteceram. A universidade sonhada nunca, de fato, aconteceu. Ela é uma utopia - inatingível, mas sempre desejada... e buscada.

Essa utopia da universidade na sua plenitude está vinculada a um passado que lhe deu origem. A universidade, como a conhecemos hoje, surgiu da luta do Iluminismo Renascentista e representou uma revolução na maneira medieval de conhecer o mundo. Mas se, por um lado, a ligação com essa origem conceitual coloca o aluno em sintonia com o espírito universitário, por outro, é o conhecimento específico da história da sua universidade que lhe dá o sentimento de pertencimento, de ser parte de uma família intelectual.

A história da Católica é a de uma instituição que, além de lutar pelo desenvolvimento científico, cultural, econômico e social de nosso Estado, trabalha com afinco pelo ensino baseado em valores éticos e morais e pela difusão dos ideais cristãos.

Ao completar meio século de existência, ganhou um presente mais do que especial e mais do que merecido: foi anunciada como Pontifícia Universidade Católica de Goiás, no dia 8 de setembro próximo passado, pelo Cardeal Zenon Grocholewski, prefeito da Sagrada Congregação para a Educação Católica do Vaticano, que entregou, em Goiânia, os documentos da Santa Sé.

Uma carta da Congregação de Instituições Católicas dirigida ao Arcebispo de Goiânia e Grão-Chanceler da PUC Goiás, nosso querido Dom Washington Cruz, comunicou à instituição canônica da Universidade Católica de Goiás a aprovação dos seus estatutos por um período experimental de 5 anos e a confirmação do Professor Wolmir Amado como Reitor da Universidade.

No documento divulgado à sociedade, o Cardeal Zenon afirmava a sua segurança de que a Universidade Católica de Goiás, em sua nova configuração jurídica, estaria em grau de dar uma qualificada contribuição à formação cultural e católica, tanto quanto à pesquisa científica do Brasil.

Nós que somos testemunhas da qualidade da educação da Católica e da formação humanista que a universidade dedica aos homens e mulheres que têm sido formados ao longo desse meio século na instituição temos a convicção de que o Vaticano só terá motivos para se orgulhar da PUC Goiás. Não só o Vaticano, mas também Goiás e o Brasil. Nenhum país pode aspirar a ser independente e soberano e a sobreviver no mundo atual sem um sistema de educação superior e um sistema de pesquisa adequado às suas necessidades. E também não há desenvolvimento se não há respeito pelos valores culturais e se não se tomam medidas capazes de garantir igualdade de oportunidades econômicas a todos os cidadãos. E a Católica sabe disso. A Católica vive isso.

Mas, como toda instituição de ensino superior, a Católica tem desafios a enfrentar. Os desafios, no entanto, são de todas as instituições que já perceberam que, a caminho do final da primeira década do terceiro milênio, estamos em um mundo novo. Um mundo que, às vezes, nos dá uma sensação até de frustração sobre qual seja o papel da universidade.

Quando mais precisamos do pensamento crítico, ele está ausente. Muitos de nossos alunos universitários já não encontram emprego. Grande parte da produção já não vem dos laboratórios das universidades. Muitos produtores intelectuais já não precisam de diploma universitário. Empresas montam instituições próprias, não só de pesquisa, mas também de formação dos técnicos de que necessitam. As pessoas se informam direitamente, pela mídia, dos novos conhecimentos desenvolvidos fora da universidade. E a instituição que foi criada para transmitir conhecimento recebe conhecimento pelas transmissões da televisão.

São a esses desafios que a PUC Goiás terá que responder. Segundo o Senador Cristovam Buarque, ex-Reitor da Universidade de Brasília, na sua forma atual o futuro da universidade está ameaçado. Para retomar a sintonia com o futuro, ela só tem um caminho: assumir sua crise de identidade em um mundo em mutação, fazendo de seu futuro um tema permanente de estudos.

É isso que estamos fazendo nesta Casa. A Comissão Especial constituída para propor uma reforma universitária está pensando a universidade do futuro. E são bem-vindas, Prof. Wolmir e Profa. Milca, todas as contribuições que a PUC Goiás puder oferecer.

Afinal são apenas 31 Pontifícias Universidades Católicas - instituições de ensino superior católicas com perfil internacional - no mundo e 6 no Brasil. A criação da sétima, a Pontifícia Universidade Católica de Goiás, dará à nossa querida ex-UCG um ambiente mais propício para responder a estas e a outras perguntas, além, naturalmente, de valorizar o diploma, o currículo e conferir mais prestígio acadêmico a estudantes e docentes. Haverá um impacto benéfico direto para 25 mil estudantes de 150 cursos, entre graduação, mestrados, doutorados e línguas, 1.500 professores e 970 funcionários.
Com esse perfil internacional, estou certa de que haverá mais facilidade para intercâmbios, parcerias e ingresso a redes internacionais de pesquisa. Portanto, uma maior abertura da universidade para o mundo, sem dúvida uma exigência do século do conhecimento.

Mas eu não poderia terminar sem lembrar que os 50 anos da Católica são o retrato do ideal educacional evangélico e humanitário de seus fundadores. A Universidade surgiu do sonho de Dom Emanuel Gomes, que em 1948 era Arcebispo de Goiânia e, visionário, lançou a ideia de criar a primeira universidade do Centro-Oeste. Dando os passos necessários para a criação da universidade, em 25 de outubro de 1958, Dom Fernando criou a Sociedade Goiana de Cultura, pessoa jurídica que seria a mantenedora da futura universidade. O sonho de Dom Emanuel se concretizou em 17 de outubro de 1959, quando o Presidente Juscelino Kubitschek assinou o decreto criando a Universidade de Goiás, que somente em 1971 passou a ser chamada de Universidade Católica de Goiás. E, hoje, aos 50 anos, a UCG tornou-se Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Desde o sonho de Dom Emanuel, passando pelas ações necessárias de Dom Fernando Gomes dos Santos e pela sabedoria de Dom Antônio Ribeiro de Oliveira, até o momento de maturidade e realização de nosso admirado Dom Washington Cruz, o sucesso da Pontifícia Universidade Católica de Goiás pode ser explicado pela dedicação incansável de seus fundadores ao bem comum, ao desenvolvimento de Goiás e à valorização da vida.

Quero cumprimentar Dom Washington Cruz e o Prof. Wolmir Amado e, nas pessoas dos 2, transmitir minhas homenagens a cada professor, a cada servidor, e a cada aluno que fez e faz parte dessa história de amor à educação e ao seu potencial transformador, para que construamos um mundo melhor, de oportunidades iguais para todos.

Acredito que esse mundo melhor depende muito do compromisso de cada um de nós, individual e coletivamente, com a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação e com o próximo.
A PUC Goiás está fazendo a sua parte.
Parabéns a todos!
Obrigada.

Deputada Professora Raquel Teixeira

 

 




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